Transformação Digital das PME – Projeto PME Digital

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NESTE CONTEXTO, A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL DAS PME TRADUZ-SE COMO UM DOS PRINCIPAIS FATORES IMPULSIONADORES DA COMPETITIVIDADE EMPRESARIAL, REVELANDO-SE UMA RESPOSTA ALTAMENTE EFICAZ PARA ADOÇÃO DE NOVAS PRÁTICAS DE GESTÃO.

Como Centro de Interface Tecnológica para as Tecnologias Digitais e Tecnologias de Produção, o ISQ tem como missão Promover a transferência tecnológica e a inovação nas empresas, nomeadamente através de processos de certificação, melhoria de qualidade e eficiência na produção, apoio a atividades de inovação, acesso a tecnologias em desenvolvimento e formação de recursos humanos. 

O ISQ é também membro do Comité Estratégico da Plataforma Portugal i4.0, a estrutura criada para coordenar a implementação das medidas da Estratégia Nacional para a Digitalização da Economia – Programa Indústria 4.0.

Por estes motivos e resultado da sua atuação no terreno, o ISQ identificou algumas barreiras que atualmente se colocam à transformação digital nas empresas, que motivaram a criação do projeto PME Digital:

   I.   Experiência limitada das PME. Tanto ao nível do conhecimento das implicações da transformação digital como para a adoção de ferramentas, tecnologias e metodologias inovadoras I4.0 que suportem a otimização dos processos e consequente diminuição dos custos operacionais.

   II.   Assimetria de informação. A falta de informação e a informação assimétrica nas diferentes dimensões das PME, sobre ferramentas tecnologias e metodologias no âmbito da I4.0, leva a que as PME, não só não levem em consideração os ganhos potenciais da sua adoção, mas também sobrestimem os custos e minimizem as vantagens competitivas correspondentes, havendo uma falta de clareza relativamente ao valor acrescentado da transformação digital.

   III.   Insuficiente capacidade e competência técnica. A larga maioria das PME não dispõe da capacidade/competências necessárias para identificar, avaliar e levar a cabo processos tendentes à implementação de soluções digitais. Em consequência, acabam por priorizar práticas com as quais se encontram já familiarizados, ou dependem do incentivo de fornecedores/clientes/financiamento disponível (banca, incentivos comunitários, etc.), para apostar em novas soluções.

   IV.   Escassez de dados sobre o estado atual. Existência de lacunas de informação relativamente ao estado atual relacionado com os estágios em que as PME se encontram e da distância ao paradigma da I4.0. A informação é relevante para orientar as políticas públicas, atividades específicas de I&D e fornecimento de soluções I4.0.

Por tudo isto, é particularmente importante para o ISQ promover iniciativas que acelerem a transformação digital e a adoção do paradigma da I4.0 por parte das PME. O ISQ tem privilegiado iniciativas que procurem dar resposta às falhas de mercado identificadas que se traduzam em fortes impactos positivos ao nível dos fatores críticos de competitividade.

O projeto PME Digital

O projeto PME Digital é cofinanciado pelo programa COMPETE2020 e visa capacitar, dotar de informação e incrementar as competências empresariais das PME para a transformação digital, fomentando a aceleração da Economia Portuguesa para uma Economia Digital nas fileiras do Automóvel, Materiais, Matérias-Primas e Comércio.

O propósito é o de capacitar as PME através do reforço das competências necessárias para fazer face aos fatores críticos de competitividade, em particular no domínio da inovação associada à transformação digital no contexto da I4.0. Pretende-se assim dar resposta a um conjunto de fatores críticos e falhas de mercado identificados, onde se destaca a insuficiente perceção das empresas relativamente aos benefícios que advirão da transformação digital e integração de ferramentas, tecnologias, métodos e modelos de negócio I4.0. Através do incentivo à transformação digital o projeto pretende impulsionar melhores práticas de gestão empresarial e métodos de produção e comercialização mais eficazes e inovadores.

As dimensões empresariais a abordar no projeto englobam: Liderança, Omni-experiência, Recursos Humanos e Competências, Modelo Operativo e Informação.

Liderança: Conjunto de áreas permite às PME desenvolverem uma visão para a transformação digital dos serviços e das experiências.

Omni-experiência: Esta dimensão descreve uma abordagem omnipresente e multidimensional ao ecossistema das PME necessária para amplificar a experiência dos produtos e/ou serviços.

Recursos Humanos: Esta dimensão abrange a evolução do modo como as PME irão alcançar os seus objetivos de negócio através da contratação, implementação e integração de recursos internos (funcionários a tempo inteiro e a tempo parcial) e externos (contratos, freelancers, parceiros).

Modelo Operativo: Esta dimensão descreve a capacidade de executar operações mais ágeis e eficazes, potenciando produtos/serviços, bens, pessoas e parceiros digitais. O Modelo Operativo define “como” é que o trabalho é executado em termos de transformação digital.

Informação: A transformação da informação é a abordagem focada na extração e desenvolvimento de valor e utilidade da informação relativa aos clientes, mercados, transações, serviços, produtos, bens físicos e experiências comerciais. As organizações transformadas tratam dados e informação como tratariam qualquer outro bem de valor.

O ISQ promove este projeto em conjunto com alguns parceiros da sua rede como o TICE.PT- Cluster para as Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica e a ESMAD- Escola Superior de Media, Artes e Design do Instituto Politécnico do Porto.

O TICE.PT representa um forte conhecimento de toda a cadeia de valor das tecnologias de comunicação, assegurando também as interfaces com as PME, o mundo académico e institutos de I&D. A ESMAD constitui uma entidade com fortes competências na área da produção de conteúdos digitais informativos e formativos um dos outputs relevantes previstos no projeto PME Digital. O Projeto conta ainda com a IDC como entidade de assistência técnica. A experiência e conhecimento da IDC ao nível do contexto internacional e no apoio às empresas na transformação digital será também essencial para alcançar os resultados do projeto.

Entidades como a Mobinov – Associação do Cluster Automóvel, Associação Plataforma para a Construção Sustentável e da Associação Cluster Portugal Mineral Resources, representam também entidades de apoio ao projeto e que facilitarão o conhecimento das fileiras e o contacto com as PME.

Um dos outputs mais importantes que o projeto pretende alcançar será a plataforma “HUB acelerador digital”, que por um lado facilitará o apoio às organizações nos processos de transformação digital e digitalização, e por outro a interação entre as PME, as entidades detentoras de conhecimento científico e as entidades fornecedoras de soluções.

Como outputs relevantes destacam-se também a disponibilização de uma ferramenta para a avaliação da maturidade para a transformação digital das PME nas dimensões empresariais referidas anteriormente; Conteúdos formativos e informativos; Estudos de benchmarking nacional e internacional no âmbito da transformação digital; Sessões de informação e sensibilização das PME, bem como um concurso onde algumas PME serão selecionadas para um diagnóstico detalhado da sua maturidade digital, que fornecerá um roadmap para a transformação digital em sintonia com a suas estratégias empresariais e objetivos de negócio.

Importância do Projeto PME Digital para a Economia Nacional

A Europa enfrenta atualmente importantes desafios relacionados com a necessidade de adoção do novo paradigma industrial, a indústria 4.0 com diferentes impactos quer ao nível de cada estado membro, a nível regional e a nível das empresas que compõe o tecido empresarial. Fazer face a estes desafios com políticas, incentivos e mecanismos adequados, privilegiando na inovação e as ferramentas e tecnologias I4.0, resulta em maior capacidade de gerar investimento local e consequentemente, novos empregos que.

Tendo por base a Estratégia Regional de Investigação e Inovação para a Especialização Inteligente (RIS3) e os Estudos setoriais – que se constituem como os quadros de referência para a definição das políticas regionais de desenvolvimento das regiões Norte, Centro e Alentejo – o projeto apresenta um forte contributo para as políticas definidas no que concerne à competitividade empresarial em fileiras estruturantes. Este contributo resulta do forte alinhamento com vários domínios prioritários da RIS3 Nacional como o automóvel, aeronáutica e espaço; habitat; materiais e matérias-primas, tecnologias de produção e indústrias de processo e produto e TIC.

No que concerne a intensidade dos impactos na competitividade critica local e regional para o Norte, Centro e Alentejo, destacam-se alguns dos resultados que se preconizam no projeto PME Digital:

   I.   Alteração de comportamentos face à importância da gestão empresarial, suportada em ferramentas e tecnologias I4.0, como um recurso crítico para a competitividade.

   II.   Capacitação dos empresários para a transformação digital e implementação de ferramentas, tecnologias, e metodologias I4.0.

   III.   Promoção de um maior espírito cooperante entre empresas do setor e entre estas e o Sistema Científico Tecnológico Nacional.

   IV.   O potencial de alavancagem junto dos setores-satélite das fileiras estudadas, a montante e a jusante.

   V.   A capacidade de transferibilidade do modelo deste projeto para outros setores e outras regiões.

   VI.   A projeção e visibilidade das fileiras abordadas para o País, que se prepara para a adoção da Indústria 4.0.

Importância do Projeto para as PME

As PME são espinha dorsal e o alicerce da maioria das economias e Portugal não é exceção. No entanto, para se manterem competitivas, têm constantemente de adaptar os seus produtos e serviços a mercados em permanente e acelerada mudança devido aos avanços tecnológicos e comportamentos dos consumidores. Adicionalmente, as PME têm o potencial de serem a fundação para um crescimento económico sustentável se lhes forem disponibilizadas as ferramentas e o suporte adequados.

No entanto, no contexto da I4.0, as PME são muitas vezes confrontadas com constrangimentos principalmente ligados aos elevados custos/riscos associados ao investimento necessário e à pouca informação disponível acerca da temática. Esta situação induz a uma falta de clareza por parte dos empresários relativamente aos benefícios que advêm da adoção de metodologias, tecnologias e ferramentas I4.0.

As preocupações relacionadas com a diminuição dos custos de exploração das PME, e com a necessidade de criação de produtos diferenciados para uma maior competitividade num mercado global, são por demais evidentes em particular nas pequenas empresas. Nestas empresas a minimização dos custos de exploração é essencial para uma permanência sustentada no mercado atual.

Neste contexto, a transformação digital das PME traduz-se como um dos principais fatores impulsionadores da competitividade empresarial, revelando-se uma resposta altamente eficaz para adoção de novas práticas de gestão.

Conclusão

A cadeia de valor digital assentará em novos modelos de negócio suportados por planeamentos colaborativos entre clientes, parceiros e fornecedores. Está experiência inovadora de cocriação com interação entre partes distintas deverá ser orientada para uma resposta digital efetiva. Esta resposta deve permitir acoplar e integrar soluções de conetividade e de gestão, capazes de orientar as PME na obtenção contínua de um negócio mais fiável, mais sustentável e mais competitivo.

Assumir este desafio, bem como entender a atual alteração de paradigma é fundamental.

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JOSÉ MEDINA | DIRETOR, ISQ

José Medina é licenciado em Engenharia Eletrónica e de Telecomunicações com Pós-graduação em Engenharia da Qualidade pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e Pós-graduação em Gestão, Economia e Gestão Empresarial pela AESE Business School. Iniciou a sua atividade no Instituto Eletrotécnico Português como técnico de laboratório. Em 1998 integra os quadros do ISQ como responsável pela Gestão dos Laboratórios de Metrologia Elétrica, Acústica e Ótica do Laboratório de Metrologia. De 2003 a 2008 foi responsável do Laboratório de Metrologia do ISQ. Desde 2009 é Diretor da Direção de Laboratórios do ISQ que engloba os Laboratórios de Metrologia, Laboratório de Química e Laboratório de Ensaios Elétricos e de Compatibilidade Eletromagnética. É também Presidente do Conselho de Administração do Centro Nacional de Embalagens, Gerente do Labmetro Espanha e Gerente do Labiagro – Laboratório Químico e Microbiológico.