A transformação digital já começou – as tendências digitais

A transformação digital já começou – as tendências digitais

Manuel Maria Correia

Diretor Geral, DXC Technology Portugal

Nesta era do Iluminismo da Informação, as empresas entenderão melhor os seus ecossistemas de informação e saberão o que fazer para tomar decisões mais rápidas e melhores, baseadas em dados.

Depois de termos vindo a falar há alguns anos a esta parte de Transformação Digital, tem sido em 2019 que as empresas começaram a acelerar o seu processo de transformação. À medida que vão tomando decisões e implementando as suas estratégias digitais para operar com mais eficiência,são criados novos mercados e as experiências proporcionados aos seus clientes são redesenhadas, o que proporciona uma melhoraria dos resultados do negócio.Ao abraçar o potencial de novas soluções tecnológicas, as empresas devem examinar as tendências da transformação digital de forma a adaptarem o seu caminho.A DXC tem trabalhado em todo o mundo com diversos clientes nos mais variados projectos de Transformação e de seguida enumeram-se as tendências que consideramos no momento mais relevantes. 

A ADOÇÃO DA NOVA GERAÇÃO DE PLATAFORMAS DE IOT

À medida que as empresas mapeiam o seu mundo físico para um mundo digital rico em inteligência, as “coisas” inteligentes tornar-se-ão uma força motriz. As empresas começam a implementar plataformas de próxima geração que conseguem analisar grandes quantidades de dados vindos da Internet-of-things (IoT) e a usar Artificial Intelligence (IA) e Machine Learning (ML) para encontrar novas correlações entre dados anteriormente considerados independentes. Sem estas plataformas, os humanos seriam incapazes de fazer correlações hiperdimensionais; existem demasiados fatores para que o cérebro humano possa correlacionar. 

Por exemplo, atualmente a medicina de precisão integra dados de novas fontes (como monitores cardíacos conectados à rede Wi-Fi) com dados de fontes tradicionais (como informação sanguínea ou informações dietéticas), pelo que a possibilidade de trabalhar com estes múltiplos inputs de dados e as suas correlações, permitirá diagnósticos e planos de tratamento muito mais precisos. 

Referência: Na West of England Academic Health Science Network, a DXC está a auxiliar na criação de uma solução que inclui wearable sensors para a auto monitorização dos níveis de glicémia para doentes com diabetes.  

A DISRUPÇÃO DA CLOUD

Com a incorporação de tecnologia em tudo e em todo o lado, estima-se que até 2025 o número de dados rondará os 163 zettabytes, fazendo com que as empresas tenham de gerir as suas aplicações e os seus dados de forma diferente. A indústria de TI continua a construir o que chamamos de “Matrix”, uma infraestrutura de TI inteligente e abrangente que vai além da cloud e que inclui edge computing, plataformas IoT, machine learning, realidade aumentada / realidade virtual, blockchain e muito mais. No entanto, aquela que é considerada como a última tendência digital é o facto de as empresas estarem a construir novas formas de alavancar a “Matrix”, nomeadamente através de aplicações descentralizadas (DApps). As DApps têm um potencial de disrupção do modelo cloud porque transferem o poder de um pequeno número de players centrais para um universo com um elevado número de players. Assim como, a “data gravity” está também a tornar-se um princípio de desenho para novos sistemas multilatency.

Referência: Com o objetivo de melhorar a qualidade do atendimento clínico utilizando analítica avançada, a Dinamarca parecia ser a candidata perfeita para um grande projeto de Big Data, uma vez que contava com mais de 40 anos de recolha de informação clínica dos seus 7 milhões de cidadãos.

AS EMPRESAS ENTRARAM NA ERA DO ILUMINISMO DA INFORMAÇÃO

Tendo em consideração os enormes volumes de dados e a sua alta dimensionalidade, as empresas precisam reagir cada vez mais rápido, especialmente porque o seu valor perde-se ao longo do tempo. O valor pode ser maior no momento em que os dados são criados, mas muito mais baixo apenas alguns segundos ou minutos depois.

Assim, alavancar a informação tornar-se-á uma competência chave! Nesta era do Iluminismo da Informação, as empresas entenderão melhor os seus ecossistemas de informação e saberão o que fazer para tomar decisões mais rápidas e melhores, baseadas em dados. As ferramentas ML revelar-se-ão fundamentais para os sistemas de aprendizagem e farão com que os tempos de resposta tenham de ser acelerados. As empresas irão perceber que por vezes é melhor agir com base numa forte probabilidade de estar certo (por exemplo, 70%) do que esperar por ser perfeito (100%).  

A condução autónoma demonstra a importância dos dados em tempo real dos IoT, ao utilizar analíticas para melhorar a sua execução em conjunto com a utilização de AI e ML. Os dados dos veículos devem ser constantemente analisados em tempo real, na fonte, para serem executados num evento.  

Referência: A BMW e a DXC estão a trabalhar no desenvolvimento de veículos autónomos através da plataforma High Performance D3. Usando a solução da DXC, as equipas de R&D da BMW podem recolher, armazenar e gerir os dados dos sensores dos veículos em poucos segundos, em vez de dias ou semanas, resultando em ciclos de desenvolvimento de condução autónoma muito mais rápidos. 

AS EMPRESAS ESTÃO A REDESENHAR AS EXPERIÊNCIAS DE CLIENTE PARA AMBIENTES MAIS RESTRITOS DE REGRAS DE PRIVACIDADE DE DADOS

A proteção dos dados pessoais dos clientes está a forçar as empresas a repensarem as suas estratégias digitais, conforme temos vindo a observar com a entrada em vigor do novo Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia (RGPD). Assim, as empresas devem ter uma estratégia clara de gestão de dados e de processos de clientes, devendo também repensar os seus ecossistemas de informações mais amplos com parceiros e fornecedores, onde as regras de privacidade de dados têm um efeito cascata e potencialmente limitam o valor de outros dados no ecossistema. Deverão criar ecossistemas de informações centrados na privacidade tendo a análise e segurança como alicerces, pois têm como objetivo fornecer interações seguras e experiências superiores aos clientes. 

Referência: A Scandinavian Airlines (SAS) gera uma enorme quantidade de dados devido aos mais de 30 milhões de passageiros que transporta por ano para cerca de 120 destinos. Quando a SAS iniciou a sua jornada de transformação digital, sabia que teria de utilizar uma forte componente de analytics para conhecer melhor os seus clientes. Com a ajuda da DXC, a SAS concluiu um programa de três fases, que incluiu uma avaliação de maturidade do estado atual das suas plataformas de analytics, construção de uma arquitetura de referência para uma nova plataforma e ainda ajuda a escalar as capacidades de analytics em toda a companhia. 

AS EMPRESAS COMEÇARAM A ENCERRAR OS SEUS DATA CENTERS

Os data centers das empresas estão a começar a desaparecer. Já é visível uma mudança considerável nos workloads dos data centers das empresas para os data centers em clouds públicas. Com efeito, os data centers empresariais estão a tornar-se compartimentos virtuais em várias clouds públicas de diferentes fornecedores e, portanto, serão encerrados, exceto os que tenham necessidade de workloads baseados em mainframes. Estes workload migrarão para centros de dados especializados que são fortemente alavancados podendo mesmo chegar a desaparecer por completo. Já estamos a assistir ao chamado lift and shift em 2019, mas a tendência irá aumentar nos próximos três a cinco anos, à medida que a migração para a cloud der lugar a sistemas built for cloud.  

Também aqui a DXC já está a auxiliar diversas empresas neste processo de mudança, nomeadamente a SEAT, a Airbus, a Zurich, a Alstom, a Fred Hollows Foundation, a Ixom entre outros.  

As decisões tomadas pelas empresas em 2019 determinam desta forma o seu comportamento futuro no mundo digital em evolução. As empresas que tiverem em consideração as tendências digitais que referimos anteriormente, irão garantir que a sua jornada de transformação digital será bem-sucedida.  

Assim, é fácil comprovar que estamos já no meio desta revolução a que chamámos Transformação Digital com os seus inúmeros desafios. É importante partilhar e trabalhar em cooperação, para que todos os agentes do mercado de TI possam levar com sucesso este período de grande mudança. A DXC ocupa um papel fundamental como agente transformador, disposto a partilhar esse conhecimento com os seus clientes e parceiros e absorvendo as boas práticas que vai experienciando no mercado. 

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Manuel Maria Correia | General Manager, DXC Technology Portugal

É diretor geral da DXC Technology Portugal, função que assume em Portugal desde abril de 2017. Antes de ocupar esta posição, Manuel Maria desempenhou o cargo de diretor geral da unidade Enterprise Services na Hewlett Packard Enterprise em Portugal, função que desempenhou durante 4 anos. Paralelamente foi responsável pela indústria de Energy & Utilities em Portugal e Espanha, liderando uma equipa centrada no desenvolvimento de negócio e na gestão dos clientes Entrou para a HP Portugal em setembro de 2004, onde começou como Services Sales Manager, tornando-se mais tarde líder da equipa de vendas das Contas Corporativas e Sector Público no grupo da computação pessoal, tendo sido posteriormente nomeado Country Manager dessa unidade. Trabalha há mais de 20 anos na indústria de TI. No início da sua carreira desempenhou várias funções de consultoria, vendas e consolidou posições de gestão em multinacionais como a IBM, HP, HPE e agora, na nova DXC Technology. É Licenciado em Engenharia Informática e de Computadores pela Universidade Técnica de Lisboa e tem uma Pós-graduação em Gestão (MBA & Marketing).